17. SILÊNCIO, VAZIO E AUSÊNCIA

SEGUNDO CICLO

TEXTO 3

Há palavras que parecem semelhantes,

mas apontam para experiências muito distintas.

Silêncio.
Vazio.
Ausência.

Confundi-las é comum.
Discerni-las é maturidade.

O silêncio não é falta de som.
É presença sem ruído.

Quando o silêncio se instala, algo permanece atento.
Há lucidez.
Há percepção.
Há vida.

O vazio, por sua vez, não é negativo.
Ele surge quando estruturas antigas se desfazem.
Crenças caem.
Identidades se afrouxam.

O vazio é um espaço em transição.
Ele pode assustar,
mas também prepara terreno.

A ausência é diferente.
Ela não contém escuta.
Não há presença sustentando o campo.

Na ausência, algo foi retirado,
mas nada assumiu o lugar.

Muitos acreditam estar em silêncio
quando, na verdade, estão apenas ausentes de si.

Outros acreditam estar vazios

quando, na verdade, resistem ao silêncio.

O silêncio verdadeiro não afasta do mundo.
Ele o torna mais nítido.

Nele, a ação surge sem esforço.
A palavra nasce medida.
O gesto não precisa provar nada.

Este segundo ciclo não busca preencher vazios.
Busca reconhecer presenças.

Se, ao ler este texto,
percebeste uma atenção tranquila,
sem necessidade de concluir nada,

então o silêncio está ativo.


LUZ E VIDA

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